Plano Pastoral
2023 – 2025
Reavivar o anúncio e o testemunho da palavra de Deus hoje
Depois dos anos difíceis que vivemos, chegou o momento de voltar a organizar o caminho pastoral da Arquidiocese, lembrar para onde vamos e indicar alguns passos e meios num plano pastoral, para lá chegar. Desta vez irá abranger os anos 2023-2025
O rumo de todo caminho pastoral é a santidade, crescer como filhos de Deus seguindo Jesus com a força do Espírito Santo. Conhecer a Deus e viver segundo a sua vontade é então a vocação de todo cristão, é o caminho por onde todos somos chamados a avançar.
A experiência de Moisés, da qual o livro do Êxodo (Ex 3,1-10) nos fala, pode ajudar-nos a compreender esta exigência da vida cristã. Moisés como pessoa do povo hebreu conhece o Deus do seu povo. Ele é homem de experiência, cresceu na casa do farão, tinha tentado libertar os seus irmãos da escravidão, mas teve de fugir. Agora tem o seu trabalho como pastor, tem a sua família, parece que já chegou, já fez tudo aquilo que podia fazer na sua vida.
Nós que já fomos batizados e até temos alguma responsabilidade dentro da Igreja, às vezes pensamos que já sabemos quem é Deus, já andamos na catequese, já chegamos como cristãos onde era suposto chegar.
Moisés vê uma coisa estranha: um arbusto a arder, mas o fogo não o consome, quer entender melhor e se aproxima. Em cada um de nós é importante que haja o desejo de conhecer melhor, de crescer, de aproximar-se de Deus com a escuta da Palavra, com a oração e o aprofundamento da fé.
Moisés é convidado a tirar as sandálias porque o lugar onde está é “terra santa”. O lugar onde Moisés está é o deserto, lugar de pastagens para as suas ovelhas. “Terra santa”, terra onde Deus se faz encontrar, terra que merece respeito. “Terra santa” não são só as nossas igrejas, mas também as nossas casas, o nosso lugar de trabalho, a nossa comunidade e a nossa vida. É lá que Deus se dá a conhecer.
“E agora vai” diz Deus a Moisés confiando-lhe a missão de libertar o povo do Egipto. Somos enviados a trabalhar para o projeto bonito de Deus, a testemunhar como Deus tem misericórdia e cuida de nós. Não somos nós os donos de um ministério ou de uma comunidade, mas somos enviados por Ele a realizar para aquela comunidade aquilo que Deus quer.
As propostas contidas neste plano pastoral são, como para Moisés, podermos conhecer melhor a Deus e fazer aquilo que Ele nos diz, porque lá está o bem e a nossa felicidade.
O ano 2025, o terceiro deste plano pastoral, será uma etapa importante. Como acontece cada 25 anos, a Igreja Católica no mundo inteiro celebra um ano jubilar: um ano de renovação e de graça.
No 2025 celebraremos também o centenário (100 anos) da construção da nossa igreja Catedral, a igreja mãe de todas as paróquias.
Sempre no 2025 recordaremos o Primeiro Concílio Ecuménico na história da Igreja que se realizou na cidade de Niceia no ano 325, faz 1700 anos. Naquele Concílio a Igreja, nascida do Coração de Jesus trespassado na Cruz, era ainda uma só. Foi naquela ocasião que se escreveu a profissão de fé, o Credo que rezamos todos os domingos na Missa.
Também para Moçambique o ano 2025 será um jubileu, uma ocasião de renovação, pois celebramos 50 anos como país independente e, como o jubileu de que fala a Bíblia, é o momento de o País se reconciliar e reconstruir a justiça e a paz.
Este é um caminho que não começa do zero. Com os planos pastorais anteriores, avançamos na construção de comunidades cristãs que anunciam o Evangelho e vivem a caridade. Apostamos na catequese com a formação dos catequistas e preparação de novos manuais. Cultivamos o sentido de pertença e a solidariedade na pastoral do dízimo, na prestação de contas e na partilha dentro da diocese. Vamos continuar com fé e generosidade a viver estes compromissos.
Outro ponto de apoio para este plano pastoral é o trabalho que já fizemos a nível da diocese em preparação ao Sínodo dos Bispos “Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão” e da IV Assembleia Nacional de Pastoral “Reavivar o anúncio e o testemunho da palavra de Deus hoje”. Este mesmo lema será também a inspiração e o lema do nosso Plano Pastoral 2023-2025.
Para tornar este desejo realidade, nestes três anos iremos como diocese e paróquias por a atenção nalguns elementos importantes da nossa vida cristã e implementar algumas ações.
“A tua palavra é luz para os meus caminhos” (Sal. 118,105)
Como nos lembra o Concílio Vaticano II, a palavra de Deus é o apoio firme da Igreja, a solidez da fé dos cristãos, o alimento da alma e a fonte da vida espiritual que não seca (cf DV21).
Nestes anos trabalharemos para:
- Renovar a comissão bíblica arquidiocesana que trabalhará em coordenação com as comissões de catequese e de liturgia na formação de catequistas, animadores da palavra e leitores.
- Difundir e usar a Bíblia. Temos muitos exemplares em Chindau e Chisena, procuraremos adquirir também em português e recorrer às aplicações para os telefones, para que a palavra de Deus entre nas nossas casas e nas nossas vidas.
- Ensinar a rezar com a palavra de Deus
“Jesus contou uma parábola sobre a necessidade de orar sempre, sem desfalecer” Lc 18,1
A oração é viver por Deus, com Ele e n’Ele. É como o respirar: o ar entra em nós, nos faz viver e sai como palavra e sopro. Sem oração a nossa vida espiritual morre.
Na preparação ao Ano Santo, o Papa Francisco pede que sobretudo o ano 2024 seja um ano de oração “a via mestra para a santidade”.
Para ajudar-nos a rezar:
- Divulgaremos os subsídios de oração como “Oração em família”, “Pão da vida” e outros.
- Voltaremos a publicar os livros de oração em línguas locais: “Maphembero” e “Makumbiro”.
- Publicaremos um livro de cantos para a Arquidiocese
- Introduziremos momentos de oração comunitária: vigília, adoração, liturgia das horas, terço … nos programas semanais das nossas paróquias.
“Feliz aquela que acreditou” Lc 1,45
A fé é a resposta ao convite que Deus nos faz de viver em comunhão com Ele, de receber a Sua vida, a vida eterna que Ele nos deu a conhecer falando-nos como amigos e, em Jesus, como filhos.
No ano 325 a Igreja das origens que ainda era unida, sentiu a necessidade de fixar e proclamar o conteúdo da sua fé na oração do Credo que rezamos todos os domingos.
Para crescermos na fé e construirmos a unidade:
- Prepararemos subsídios sobre o Credo para a catequese dos cristãos para que possamos entender melhor o que professamos e acreditar como Maria.
- Promoveremos o ecumenismo, o diálogo com as outras Igrejas cristãs encarregando alguém na diocese para nos ajudar nisso.
“Eu estou no meio de vós como aquele que serve” Lc 22,27
Neste ano de 2023, nas paróquias da nossa arquidiocese, haverá a renovação dos ministérios: “serviços recíprocos livremente oferecidos” para o crescimento das comunidades cristãs, como escreveu a primeira Assembleia Nacional de Pastoral na Beira em 1977.
Para nos ajudar a crescer como Igreja ministerial:
- A diocese preparará indicações práticas para a renovação dos ministérios
- Todas as paróquias celebrarão a vigília de Pentecostes (27 de Maio) 2023 pedindo a assistência do Espírito Santo sobre o processo de renovação dos ministérios.
- A nível paroquial e de zonas pastorais se promoverá a formação dos que forem escolhidos para trabalhar nos próximos três anos.
“ Vós sois o sal da terra, vós sois a luz do mundo” Lc 5,13-14
É na vida do dia-a-dia, na família, no serviço, na vida social que nós vivemos a nossa fé, que mostramos a maneira de ser e de trabalhar que agrada a Deus nosso Pai e que Jesus nos deu a conhecer em palavras e obras.
O que agrada a Deus é a misericórdia que, como vimos no Ano da Misericórdia em 2016 e no plano pastoral 2017-2019, não é só ajudar os necessitados, mas promover o perdão e a reconciliação, promover o bem-estar, o cuidado do bem comum e do meio ambiente.
Para um testemunho de vida que segue o Evangelho:
- Daremos maior atenção aos presos, aos hospitais e aos pobres que vivem na rua com uma pastoral mais coordenada.
- Faremos crescer as comissões da misericórdia nas paróquias
- A comissão arquidiocesana de Justiça e Paz nos ajudará a celebrar bem a semana de Fé e Compromisso que a Conferência Episcopal estabeleceu para a última semana do mês de Julho de cada ano.
- Promoveremos a formação, o respeito e a tolerância nestes anos de eleições, também lendo as cartas que os Bispos de Moçambique escreveram sobre este importante gesto de participação à vida do nosso país.
- Além de celebrar com alegria o acontecimento dos 50 anos de independência de Moçambique, nos ajudaremos a libertar-nos das tantas dependências presentes nas nossas vidas.
“Peregrinos de esperança”
Este é o lema que o Papa escolheu para o Ano Santo de 2025. Durante este ano, além de continuar quanto vem neste plano pastoral:
- Todas as paróquias, grupos e movimentos serão convidados a peregrinar até à igreja Catedral que em 2025 completará 100 anos da sua construção.
As peregrinações com momentos de visita, gestos de caridade, catequeses e celebração dos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia, serão como uma síntese deste plano pastoral, um reavivar o anúncio e o testemunho da palavra de Deus hoje e crescermos na vida como filhos e família de Deus que somos.
Vamos caminhar juntos, seguindo Jesus o Bom Pastor, com a força que nos vem do Espírito Santo que o Pai derrama sobre nós.
Confiamos a Nossa Senhora do Rosário, nossa Padroeira, este caminho de crescimento na fé e na santidade.
Beira 25 de Março 2023, Solenidade da Anunciação