INTRODUÇÃO
“Cada um ponha à disposição dos outros o dom que recebeu, como bons administradores da multiforme graça de Deus.” (1 Pd 4, 10) Reverendos sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas e todos os fiéis leigos da Arquidiocese da Beira: a paz e a alegria do Senhor estejam convosco! Esta palavra inspirada do Apóstolo São Pedro define a identidade da Arquidiocese da Beira, como uma Igreja formada por muitas pedras vivas, unidas na construção de um edifício espiritual onde nenhum baptizado é um espetador passivo, mas sim um membro activo e corresponsável1. Guiados pela acção criadora do Espírito Santo, recordamos a toda a nossa Igreja local que chegou o tempo da renovação dos responsáveis dos ministérios ou encargos pastorais. Este momento não deve ser reduzido a um mero procedimento administrativo, formalismo jurídico ou simples «votação humana». Trata-se de um autêntico tempo de graça (Kairós), de escuta atenta da Palavra de Deus e de profundo discernimento comunitário. É a oportunidade ideal para reavivar o zelo apostólico, acolher novas lideranças e fazer circular os carismas para o bem comum. A nossa Arquidiocese reafirmando o seu ser Igreja-ministerial, isto é uma Igreja de base e de comunhão, de serviços recíprocos livremente oferecidos e reconhecendo no processo sinodal que mostrou que o Espírito Santo suscita constantemente no Povo de Deus uma grande variedade de carismas e ministérios. É fundamental ter presente que a renovação dos ministérios tem como objectivo a continua dinamização da evangelização por meio da comunhão, participação e missão activa e corresponsável, que nos torna autênticos reavivadores do anúncio e o testemunho da Palavra de Deus hoje e nos ajuda a formar uma Igreja de todos, em que todos se sentem responsáveis, e exercem seus ministérios, para o bem de todos. Para que este processo decorra em espírito de comunhão, ordem e transparência evangélica, apresentamos as presentes Diretrizes Diocesanas. Este documento servirá de guia prático e pastoral para todas as comunidades, oferecendo os critérios teológicos, os perfis exigidos e as etapas organizativas necessárias para este caminho. Acolhamos este tempo com o coração aberto, conscientes de que fomos chamados ao serviço e unidos na missão, para que o Reino de Deus continue a crescer e a dar frutos no meio do nosso povo.
Dado em Beira, a 3 de Junho de 2026, Festa de SS. Carlos Lwanga e Companheiros, mártires.
Dom Osório Citora Alfonso
Administrador Apostólico