Homilia da Missa de encerramento di Jubileu e os compromissos para depois do Jubileu – Don Claudio Dalla Zuanna

Conclusão do Jubileu

Beira, 28 Dezembro 2025

 

Dom Claudio Dalla Zuanna

 

Caríssimos irmãos, caríssimas irmãs, nos encontramos hoje para o encerramento do Ano Santo na Festa da Sagrada Família, o Ano Santo no qual fomos convidados a caminhar como peregrinos da esperança e aprendemos que a esperança é a vida plena, a vida plena em Deus, a vida onde o mal é vencido, onde o sofrimento, o pecado e até a morte não têm espaço, uma vida à qual iremos chegar se seguirmos Jesus. Ele foi o primeiro peregrino, aquele que abriu as portas da morte com a sua ressurreição. A esperança, então, é vida, vida plena, vida em Deus.

Esta é o que nós procuramos. Celebramos este encerramento deste Ano Santo na Festa da Sagrada Família. A Sagrada Família, como as nossas famílias, é o lugar onde a vida é acolhida, onde a vida é cuidada, cultivada, feita crescer.

Os Evangelhos dizem que Jesus, na família de Nazaré, crescia em sabedoria, em idade e em graça. A vida plena em Deus, para a qual nós caminhamos, começa já aqui. Já estamos a viver esta vida.

Há sinais de vida que crescem. Há sinais de esperança que se realizam. E este ano, para a nossa Arquidiocese, para toda a Igreja, com certeza, mas de modo especial para a nossa Arquidiocese, foi um ano de particular crescimento, onde colhemos muitos sinais de esperança.

Sinais de que nós, como fiéis, como pessoas, fomos crescendo durante este ano. Sinais de que as nossas paróquias, a nossa Igreja, a nossa Arquidiocese foi crescendo ao longo deste ano. Já a grande participação desde o dia da abertura, a grande disponibilidade de tantos em colaborar, as tantas formas de apoio, são um ambiente de esperança, um sinal de participação e de crescimento.

Mas há alguns sinais que gostaria de pôr particularmente em destaque.

O crescimento da vida espiritual, com as peregrinações jubilares, com a oração, nós fomos crescendo em uma vida segundo o Espírito, em uma vida em que a Palavra de Deus é luz para os nossos passos. Vivemos o Sacramento da Reconciliação.

Para muitos, eram anos que não se aproximavam e pediam o perdão e recebiam a misericórdia e o perdão de Deus. A participação da Eucaristia, para alguns de nós, foi o ano em que voltou a pisar na Igreja, o ano em que voltou a participar da Eucaristia. Muitos casais cristãos neste ano realizaram o seu matrimônio como cristãos, tornando-se assim a Palavra de Deus para nós.

São o sinal, os casais, são o sinal do amor de Deus para connosco. Podemos dizer, se duas pessoas com tantas fragilidades se amam assim, colaboram assim, quanto é que Deus não fará para todos nós? Este ano, para muitos, foi abraçar o matrimônio e tornar-se a Palavra de Deus, o anúncio de Deus, o anúncio do amor de Deus. Também nas paróquias, vimos como este aumento de participação, de vida sacramental, se realizou e se tornou um momento de crescimento da Igreja.

A vida espiritual da nossa Arquidiocese cresceu graças a este ano santo. Deus manifestou a sua misericórdia em nós. Mas também, a nossa Igreja, nós, as nossas paróquias, crescemos na caridade.

Neste ano, se realizou o Centro Bakhita, na Munhava, um centro de apoio à velhice. Foi fruto do nosso trabalho. Não foram projetos financiados por alguém, fomos nós, Arquidiocese da Beira, reabilitar as infraestruturas e começar a apoiar os nossos idosos.

Também, a aderência das paróquias àquele projeto de adotar uma cela das nossas penitenciárias para fornecer material de higiene. Nenhuma paróquia recuou, ninguém disse, não, nós precisamos. Então, também este foi um gesto, um sinal de esperança, um sinal de crescimento na vida da caridade.

Mas também os tantos produtos que foram oferecidos nas peregrinações. As paróquias que vieram até de longe não vieram de mãos vazias e ofereceram produtos que serviram para acolher outras paróquias, mas também para ajudar situações de necessidade aqui na nossa cidade. Sinal de esperança, sinal de vida que cresce, como na família de Nazaré.

Também a caridade cresceu na nossa igreja. Eu diria até a sustentabilidade das iniciativas. É verdade, houve pessoas que nos ajudaram, mas todas as iniciativas, até aqueles livros que estão nas vossas mãos, os livros de cantos, são fruto do próprio jubileu.

O jubileu sustentou-se sozinho. Nenhuma paróquia foi cobrada alguma coisa. A ninguém que veio em peregrinação foi dito, você deve pagar isso. Nada. Tudo foi de espontânea vontade e deu resultado, que até temos algo que vai ficar e que vai ser distribuído por situações de pobreza na nossa diocese. Até nisto mostramos o crescimento da nossa caridade.

 

Uma outra dimensão onde testemunhamos o crescimento, onde testemunhamos a vida que cresce, onde testemunhamos a esperança, outro sinal de esperança é o crescimento na formação cristã. Nas peregrinações tivemos sempre um momento de catequese. Para muitos foi um resumir aquilo que já tinham esquecido há muitos anos quando andaram de crianças na catequese.

Mas também, cada quinze dias, nas nossas paróquias, nas redes sociais, aparecia uma catequese para sabermos em que acreditamos. A profissão de fé, o credo, que este ano celebra mil setecentos anos, foi explicada palavra por palavra. Tivemos ocasião de aprender coisas ou de lembrar coisas que já tínhamos esquecido.

Mas também outros sinais de crescimento na formação são, por exemplo, o seminário teológico que se vai abrir, que se está a abrir aqui na Beira, em Nazaré. Moçambique só tem um seminário de teologia. Não há espaço.

Na Beira, agora, em janeiro, vão chegar os primeiros trinta e seis seminaristas de teologia para começar. No próximo ano serão outros trinta ou quarenta e assim em diante. Fruto deste jubileu.

Este ano que se tomou a decisão, este ano que se começaram as obras e este ano que vai começar o seminário de teologia para a formação dos nossos sacerdotes. Para que eles possam formar o povo de Deus, dar conteúdos, fazer crescer a vida, ser como os pais em casa que cuidam dos filhos e os fazem crescer, lhe dão alimento. Os sacerdotes dão alimento à nossa vida cristã, à nossa vida espiritual, com os sacramentos, com o anúncio da Palavra de Deus, com a consolação, escutando-nos e ajudando-nos.

Também, o livro de cantos ao qual fiz referência, o título diz Jubila-vos, é o jubileu. Claro que foi preparado nestes últimos anos, mas é neste ano que foi publicado. As nossas paróquias poderão ter ali cantos, seja em português, em Cisena, em Cindal, para as nossas liturgias, para caminharmos juntos também no canto.

São sinais de esperança, sinais que a vida está a crescer, que a nossa diocese este ano cresceu e cresceu muito. Também, os 100 anos que celebramos na Catedral, celebrar 100 anos é sinal que a vida avança, mas a Catedral, depois de 100 anos, não ficou velha. Até teve necessidade de construir este bonito alpendre que hoje nos recolhe.

É sinal de vida, a paróquia da Catedral este ano cresceu, trabalhou muito, porque receber milhares de pessoas, quase todos os sábados aqui havia centenas e centenas de pessoas, foi muito trabalho, mas a paróquia também cresceu. Então, a celebração dos 100 anos é mais um sinal de esperança, mais um sinal de crescimento. A vida plena de Deus já está a crescer no meio de nós.

 

E, com certeza, haverá muitos outros sinais. Penso que cada um de nós pode olhar no seu coração e dizer este foi um sinal de crescimento. Também o bispo não vai dizer agora aqui, mas também fez experiências de esperança e de crescimento.

Me sinto um pouco mais crescido do que um ano atrás, não só pela idade, mas por aquilo que fui aprendendo ao longo deste ano. Então, há muitos sinais de esperança, de crescimento. Eu quero colocar aqui como último, vamos dizer, também porque foi dos últimos dias, o nascimento de uma nova diocese.

A nossa arquidiocese este ano se tornou mais uma vez mãe e gerou uma filha que se chama Diocese de Caia. E o seu primeiro bispo também é filho desta Arquidiocese, não só porque nasceu aqui na Beira, mas porque era nosso bispo auxiliar. Também ele fez esta experiência de esperança ao longo deste ano.

Eu diria que também ele foi formado como bispo. Talvez Deus sabia que era para isso, que era para agora começar a andar, não como auxiliar, mas como aquele que conduz o caminho da Diocese de Caia. Então, sinais de esperança, sinais de vida que crescem.

A nossa arquidiocese cresceu, nós crescemos, é verdade ou não é? Esta salva de palmas acho que deve ser dirigida a Deus. A Deus, porque nós neste dia só podemos agradecer, louvar. Claro que muitos de nós trabalharam, contribuíram, quem mais, quem menos, mas todos participamos.

O fato de estar aqui presentes é forma de contribuir e de participar. Mas foi Deus que conduziu este ano santo, que nos conduziu, que nos fez crescer. Ninguém sabia, antes de começar, todas estas graças, todos estes passos à frente, todos estes enrobustecer da nossa vida.

Como Jesus crescia em sabedoria, idade e graça, nós também crescemos, também em idade, somos um ano mais velho, mas crescemos em sabedoria, crescemos em graça. Então, louvamos e agradecemos ao Senhor com esta celebração, com muita gratidão. E depois, no fim da missa, iremos dar o outro passo, porque o Jubileu termina, hoje é encerrado, mas não termina a graça que Ele nos deu, nos proporcionou.

Vamos então agora, juntos, renovar a nossa profissão de fé. Dizer o que Deus fez por nós, enviou o Seu Filho, que celebramos no Natal, enviou o Espírito Santo e nos deu o dom dos irmãos e das irmãs. O dom da Igreja, somos um povo que caminha, não somos pessoas perdidas no mundo.

E então, estas graças pessoais que recebemos, são também graças ao serviço do bem comum, ao serviço da nossa Igreja, ao serviço da nossa cidade, ao serviço da nossa sociedade. Então, com alegria, renovamos a nossa profissão de fé, rezando. Com esta celebração, encerramos o Ano Santo, mas não podemos encerrar a vida que foi semeada, alimentada com a graça de Deus, ao longo deste Ano Santo.

Por isso, não só os efeitos, mas o Espírito, o que nós vivemos durante este Ano Santo, deve continuar a acompanhar-nos. E aqueles sinais de esperança que experimentamos, também devem ser acompanhados, cuidados e utilizados.

 

 

Então, neste momento, quero dizer, recuperar algumas experiências que vivemos durante o ano, às quais já fiz referência durante a homilia.

É o envio, é dizer, irmãos, somos peregrinos de esperança, devemos continuar a andar, devemos continuar a cultivar o quanto aprendemos.

Então, a primeira área, a primeira dimensão que devemos cultivar é a vida espiritual, a vida cristã, a experiência de Deus, a nossa relação pessoal com Deus e também como comunidade. Por isso, a vida sacramental que ao longo destes anos reavivamos, a celebração da penitência, a participação na Eucaristia, toda a vida sacramental, também a celebração dos matrimônios nas nossas paróquias, a unção dos doentes, a cura dos doentes, deve ser continuada.

E os párocos são os primeiros responsáveis disso. Já não iremos ter peregrinações na catedral, mas, no fundo, as peregrinações continuam na nossa igreja paroquial. Ali os sacerdotes devem atendermos, não só os que vão aproximar-se para pedir a absolvição dos seus pecados, mas também, como experimentamos neste ano, os que, por algum motivo na vida, não podem continuar a comungar, não deixem de ir falar com o sacerdote, pedir a sua bênção, a sua oração, o seu conselho para ultrapassar as dificuldades da vida.

O segundo aspecto, a segunda dimensão é a formação. Às vezes, aqui na catedral, dizem que nós somos doutores, mas, em alguma coisa, na vida cristã, somos crianças. O que aprendemos na catequese de crianças é o que sabemos da nossa vida cristã.

Mas não se pode viver uma vida familiar, uma vida social, uma vida política sem conteúdos cristãos, sem conhecer a palavra de Deus, sem conhecer o que quer dizer ser cristão. Que Jesus nos disse, sois sal da terra, luz do mundo. Então, se não nos formamos, se não continuamos na nossa formação, iremos ser como crianças que vão para o serviço, um serviço que não estão à altura de exercer.

E, então, continuarmos com a formação, não só a catequese para os sacramentos, mas como fizemos este ano aquelas catequeses na peregrinação. Os párocos são convidados, pelo menos uma vez por mês, a fazer uma catequese aos cristãos. Há muitos temas.

Também iremos continuar com aquelas catequeses via WhatsApp ou redes sociais que poderão ser feitas nos núcleos, nas comunidades. Devemos continuar a formar-nos, a poder dar razão da nossa esperança. Não ter vergonha de ser cristão ou ser cristão só na igreja e depois no bairro, na família, no serviço, esquecer que somos cristãos.

 

Continuar a crescer na formação. Continuar a crescer na caridade. Vimos alguns sinais.

Algumas são obras que podem ter e que devem ter continuidade. O Centro Bakhita, que vai ajudar alguns irmãos na velhice, não tem uma conta no banco onde tira dinheiro. É a nossa caridade que vai para lá.

O seminário e a formação dos seminaristas também precisam de ser ajudados. As nossas cadeias não abriram as portas, todos saíram, já não existem. Irmãos estão lá, estão lá a sofrer. A sofrer além da limitação da sua liberdade, às vezes as condições higiênicas, sanitárias, não são nada boas. Então, o que fizemos ao longo deste ano, podemos continuar a fazê-lo. Cuidar dos nossos irmãos presos.

E a participação na vida da comunidade. A paróquia da catedral este ano trabalhou muito, sobretudo algumas pessoas, o acolhimento, o grupo coral, os padres, os acólitos, mas tantos também se envolveram nas paróquias. E então continuarmos a ser membros ativos das nossas comunidades, das nossas paróquias.

Fazendo assim, então, este Ano Santo não ficará como uma lembrança bonita em que aconteceram tantas coisas boas, mas será um estímulo constante a continuar na nossa vida cristã.